O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.
Mário Quintana
"Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar." Friedrich Nietzsche
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
JARDIM
Ganhei esse texto de uma amiga Querida, e nada mais justo do que dividir esse presente com vocês!
Apenas peço licença para dedica-lo especialmente para meu irmão, Gabriel!
... Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.
Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.
O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava, eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.
Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!
Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:
Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
" No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."
(Rubem Alves, em “O Retorno Eterno”, p 65)
Apenas peço licença para dedica-lo especialmente para meu irmão, Gabriel!
... Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.
Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.
O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava, eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.
Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!
Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:
Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
" No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."
(Rubem Alves, em “O Retorno Eterno”, p 65)
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
DA FELICIDADE
Quanta vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda a parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mário Quintana
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Chapeuzinho Amarelo
Era a Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada, nem descia.
Não estava resfriada, mas tossia.
Ouvia conto de fada, e estremecia.
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada, nem descia.
Não estava resfriada, mas tossia.
Ouvia conto de fada, e estremecia.
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha.
Tinha medo de trovão.
Minhoca, pra ela, era cobra.
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra.
Minhoca, pra ela, era cobra.
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra.
Não ia pra fora pra não se sujar.
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho pra não descolar.
Não falava nada pra não engasgar.
Não ficava em pé com medo de cair.
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo.
Era a Chapeuzinho Amarelo…
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho pra não descolar.
Não falava nada pra não engasgar.
Não ficava em pé com medo de cair.
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo.
Era a Chapeuzinho Amarelo…
E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.
Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO.
Um LOBO que não existia.
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO.
Um LOBO que não existia.
E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz
e um chapéu de sobremesa.
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz
e um chapéu de sobremesa.
Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.
O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.
O lobo ficou chateado.
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.
O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!
Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:
LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:
LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO
Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
"Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!"
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
"Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!"
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.
Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:
O raio virou orrái.
Barata é tabará.
A bruxa virou xabru.
E o diabo é bodiá.
Barata é tabará.
A bruxa virou xabru.
E o diabo é bodiá.
FIM
(Ah, outros companheiros da Chapeuzinho Amarelo:
o Gãodra, a Jacoru, o Barãotu, o Pão Bichôpa… e todos os tronsmons).
o Gãodra, a Jacoru, o Barãotu, o Pão Bichôpa… e todos os tronsmons).
Chico Buarque
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
O Dedo Duro!
O olhar para si mesmo é o primeiro passo para a felicidade.
Você já parou para se ver hoje?
Não falo se olhar no espelho, num ato cotidiano, enquanto escova seus dentes ou para ver se sua roupa está adequada para o seu dia. Sim, isso é importante, mas, quando pergunto se você parou para se ver hoje o que quero que você se responda (e não a mim, acreditem!) é se você se preocupou consigo mesmo.
Você se deu bom dia? Você pensou no que te faz feliz, e na forma como iria conduzir suas horas hoje? Você já distribuiu ao menos um sorriso ao seu companheiro, filho, cachorro, vizinho, ou para o motorista do carro ao lado enquanto você está no trânsito?
Ou será que você já despertou com aquele dedo indicador duro apontado para frente, como um revólver moral pronto a disparar a primeira bala de razão?
Tenho visto muitas dessas armas por aí, e fato, são tão letais quanto as de fogo!
O primeiro grande ato de violência que o tal dedo indicador duro apontado para frente faz é nos tornar incapazes de olhar para nós mesmos... numa ótica distorcida, o dedo nos faz achar que conhecemos o mundo, e entendemos dele, mas na verdade, o que ele está fazendo mesmo é você se esquecer de conhecer e entender o mais importante: você mesmo!
E vale lembrar que sem o entendimento de si mesmo, todo o resto é apenas uma ilusão.
Veja a diferença...
Quando seu dedo indicador duro está apontado para a frente: o seu namorado te fez triste, a sua melhor amiga brigou com você, só te critica e você não vai mais perder seu tempo com essa pessoa que não quer te ouvir, seu filho é um adolescente rebelde que não dá valor a nada, seu chefe é um mal humorado, o BBB é um programa que degrada a inteligência humana, o vizinho ouve uma música horrorosa que você não suporta, um cara lá nos Estados Unidos que você não faz ideia de quem seja e que entrou para o Guinness é um idiota porque encheu 23 bexigas com o nariz, o político fulano de tal é corrupto, o ator famoso da novela faz um Gay mas na vida real é contra beijo gay na novela e isso é um absurdo e contraditório, as pessoas estão loucas e você não entende como tá tudo errado no mundo!
Viremos essa poderosa arma para nós mesmo! Óh, um suicídio??? Não... uma libertação!
Quando o dedo indicador duro está apontado pra ninguém mais do que pra você mesmo: o meu namorado pode sim ter agido errado, mas foi eu quem permitiu, e isso não vai mais acontecer. Minha melhor amiga quis dizer coisas mas não soube se expressar. Será que eu consigo agir diferente dela para continuarmos cúmplices como sempre, afinal, somos melhores amigas porque somos muito parecidas! Meu filho está numa ebulição de hormônios, eu já passei por isso! Meu chefe tem muita responsabilidade, será que eu cumpro com tudo o que poderia fazer para que eu não seja mais uma preocupação? Quais são as minhas responsabilidades? O BBB é um programa que não me interessa, porque eu vou perder meu tempo falando sobre isso? Qual é a influência que isso tem na minha vida? Nenhuma! Então pronto. Mudo de canal. De novo Michel Teló, Vizinho? Tudo bem, deixa eu ocupar meu espaço com a música que eu gosto... vou ouvir Vivaldi. (Ou Metallica, ou Calcinha Preta... enfim, cada um com seu gosto!) Engraçado como as pessoas sentem prazer com coisas diferentes... eu jamais pensaria em encher bexigas com o nariz... será que eu consigo? Vai ser engraçado! O fulano de tal é corrupto mesmo... da próxima vez vou pesquisar quem é o cara em quem estou votando! Aquele ator fez uma declaração da qual eu não concordo, mas tudo bem, porque afinal de contas, é a minha opinião que me importa, e ele não faz parte da minha vida, bem como eu não faço parte da dele. Ele está representando um papel, não significa que o ser humano por trás daquele personagem deva ter a mesma opinião que eu. As pessoas estão loucas, como eu posso melhorar o mundo? O que eu posso fazer para não entrar nessa estatística?
Se você chegou até aqui, te proponho esse exercício.
Tente, por um só dia, um só, ver qual é a sua responsabilidade diante de uma situação ou pessoa antes de disparar uma crítica, um apontamento, uma reclamação. Tente por só um dia oferecer o seu melhor, de verdade, e receber o melhor que o outro tem para oferecer. Não espere nada de ninguém, espere de si mesmo. Ofereça um sorriso a quem você nem conhece, só porque você quer dar o seu melhor. Tente, por um só dia, não discutir sobre assuntos que não te interessam, e aproveitar esse tempo para fazer outra coisa que de fato te seja legal. Por um dia apenas doe o seu máximo, e receba o que puder. Dê esse primeiro passo!
Se ao fim do dia você não estiver se sentindo minimamente mais feliz, se nada tiver mudado, volte a viver da mesma forma como veio até aqui. Você não tem nada a perder!
Boa sorte!!
Ju Paié
Você já parou para se ver hoje?
Não falo se olhar no espelho, num ato cotidiano, enquanto escova seus dentes ou para ver se sua roupa está adequada para o seu dia. Sim, isso é importante, mas, quando pergunto se você parou para se ver hoje o que quero que você se responda (e não a mim, acreditem!) é se você se preocupou consigo mesmo.
Você se deu bom dia? Você pensou no que te faz feliz, e na forma como iria conduzir suas horas hoje? Você já distribuiu ao menos um sorriso ao seu companheiro, filho, cachorro, vizinho, ou para o motorista do carro ao lado enquanto você está no trânsito?
Ou será que você já despertou com aquele dedo indicador duro apontado para frente, como um revólver moral pronto a disparar a primeira bala de razão?
Tenho visto muitas dessas armas por aí, e fato, são tão letais quanto as de fogo!
O primeiro grande ato de violência que o tal dedo indicador duro apontado para frente faz é nos tornar incapazes de olhar para nós mesmos... numa ótica distorcida, o dedo nos faz achar que conhecemos o mundo, e entendemos dele, mas na verdade, o que ele está fazendo mesmo é você se esquecer de conhecer e entender o mais importante: você mesmo!
E vale lembrar que sem o entendimento de si mesmo, todo o resto é apenas uma ilusão.
Veja a diferença...
Quando seu dedo indicador duro está apontado para a frente: o seu namorado te fez triste, a sua melhor amiga brigou com você, só te critica e você não vai mais perder seu tempo com essa pessoa que não quer te ouvir, seu filho é um adolescente rebelde que não dá valor a nada, seu chefe é um mal humorado, o BBB é um programa que degrada a inteligência humana, o vizinho ouve uma música horrorosa que você não suporta, um cara lá nos Estados Unidos que você não faz ideia de quem seja e que entrou para o Guinness é um idiota porque encheu 23 bexigas com o nariz, o político fulano de tal é corrupto, o ator famoso da novela faz um Gay mas na vida real é contra beijo gay na novela e isso é um absurdo e contraditório, as pessoas estão loucas e você não entende como tá tudo errado no mundo!
Viremos essa poderosa arma para nós mesmo! Óh, um suicídio??? Não... uma libertação!
Quando o dedo indicador duro está apontado pra ninguém mais do que pra você mesmo: o meu namorado pode sim ter agido errado, mas foi eu quem permitiu, e isso não vai mais acontecer. Minha melhor amiga quis dizer coisas mas não soube se expressar. Será que eu consigo agir diferente dela para continuarmos cúmplices como sempre, afinal, somos melhores amigas porque somos muito parecidas! Meu filho está numa ebulição de hormônios, eu já passei por isso! Meu chefe tem muita responsabilidade, será que eu cumpro com tudo o que poderia fazer para que eu não seja mais uma preocupação? Quais são as minhas responsabilidades? O BBB é um programa que não me interessa, porque eu vou perder meu tempo falando sobre isso? Qual é a influência que isso tem na minha vida? Nenhuma! Então pronto. Mudo de canal. De novo Michel Teló, Vizinho? Tudo bem, deixa eu ocupar meu espaço com a música que eu gosto... vou ouvir Vivaldi. (Ou Metallica, ou Calcinha Preta... enfim, cada um com seu gosto!) Engraçado como as pessoas sentem prazer com coisas diferentes... eu jamais pensaria em encher bexigas com o nariz... será que eu consigo? Vai ser engraçado! O fulano de tal é corrupto mesmo... da próxima vez vou pesquisar quem é o cara em quem estou votando! Aquele ator fez uma declaração da qual eu não concordo, mas tudo bem, porque afinal de contas, é a minha opinião que me importa, e ele não faz parte da minha vida, bem como eu não faço parte da dele. Ele está representando um papel, não significa que o ser humano por trás daquele personagem deva ter a mesma opinião que eu. As pessoas estão loucas, como eu posso melhorar o mundo? O que eu posso fazer para não entrar nessa estatística?
Se você chegou até aqui, te proponho esse exercício.
Tente, por um só dia, um só, ver qual é a sua responsabilidade diante de uma situação ou pessoa antes de disparar uma crítica, um apontamento, uma reclamação. Tente por só um dia oferecer o seu melhor, de verdade, e receber o melhor que o outro tem para oferecer. Não espere nada de ninguém, espere de si mesmo. Ofereça um sorriso a quem você nem conhece, só porque você quer dar o seu melhor. Tente, por um só dia, não discutir sobre assuntos que não te interessam, e aproveitar esse tempo para fazer outra coisa que de fato te seja legal. Por um dia apenas doe o seu máximo, e receba o que puder. Dê esse primeiro passo!
Se ao fim do dia você não estiver se sentindo minimamente mais feliz, se nada tiver mudado, volte a viver da mesma forma como veio até aqui. Você não tem nada a perder!
Boa sorte!!
Ju Paié
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
SEJA UM IDIOTA
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir… Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho
gostoso agora? “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.
Arnaldo Jabor
domingo, 8 de janeiro de 2012
Entregar-se de voar
Voar.
Soltar-se de siDeixar-se ir
ao vento.
Ouvi-lo
na sabedoria pura da entrega.
Flutuar em desamarras
Redefinir, redistribuir, reler, respirar.
Cair para deixar-se levar
Na completude de saber-se segura
Em vôo.
Ah os homens, tolos nós!
Tanto barulho ao levantar-se do chão.
Sem notar que a silenciosa ave
só bate as asas
nos detalhes de instantes
Em que o vento esquece de ensina-la
a deixar-s'e-le-var.
(Lenita Ponce)
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