sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para 2012 - Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá. (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sorria, Meu Bem...


                    
        Vale a pena divulgar essa campanha... e levar a atitude para a vida, porque não???

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sarama.guiando ... sempre.


Tolerar a existência do outro,
e permitir que ele seja diferente,
ainda é muito pouco.

Quando se tolera,
apenas de concede,
e essa não é uma relação de igualdade,
mas de superioridade de um sobre o outro.

Deveríamos criar uma relação entre as pessoas,
da qual estivessem excluídas
a tolerância e a intolerância."

(José Saramago)


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ah! O Relógios



Amigos, não consultem os relógios

quando um dia eu me for de vossas vidas

em seus fúteis problemas tão perdidas

que até parecem mais uns necrológios...




Porque o tempo é uma invenção da morte:

não o conhece a vida - a verdadeira -

em que basta um momento de poesia

para nos dar a eternidade inteira.




Inteira, sim, porque essa vida eterna

somente por si mesma é dividida:

não cabe, a cada qual, uma porção.




E os Anjos entreolham-se espantados

quando alguém - ao voltar a si da vida -

acaso lhes indaga que horas são...

(Mario Quintana)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o
coração das pessoas.

Muitas vezes basta ter:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar.


Cora Coralina

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agora!

Que o agora tenha gosto de trufa
Que seja fácil respirar
A janela está aberta
Basta saber pular!

Que, se sonho, tenha vento
Que lá a chuva molhe minha perna
Para que o correr seja engraçado
Para a risada não ser amarela...

Que ao acordar tenha carinho
E nesse viver venha a vontade
Que o descanço tenha suspiro
E que esse sopro seja verdade!

Que o brigadeiro esteja melado
Que o suor esteja encharcado
Já que a cama agora é cheia
Já que o peito é ocupado!

E que a conversa caminhe nas horas
Venha terra pra tapar o buraco
E os olhos que tão abertos agora
Num beijo se fechem para a boca amar!


Ju Paié


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O apanhador de desperdícios.





"Uso a palavra para compor meus silêncios. 
Não gosto das palavras fatigadas de informar. 
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão,
tipo água, pedra, sapo. 
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes 

e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões. 
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença. 
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. 
Tenho abundância de ser feliz por isso. 
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: 

amo os restos, como as boas moscas. 
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. 
Porque eu não sou da informática: sou da invencionática... 
Só uso a palavra para compor meus silêncios."
Manoel de Barros